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Normalização do comum, uma cilada

As vezes, ainda me pego falando “ba”, ou até mesmo “oxe”, e não sou gaúcho, nem baiano, e por que uso esses termos tão regionais? Não há como negar a influência de amigos que tive na universidade, uma boa parte de gaúchos, e como falam esse tal de “ba”, por outro lado morei um ano na Bahia, e como falam “oxe”, acho que já perdi minha identidade regional, nem mesmo sei mais o que sou, carioca, gaúcho ou baiano? É incrível como absorvemos as coisas sem nem mesmo percebermos, como assimilamos hábitos e costumes que nunca imaginamos desenvolver, podendo, em certas circunstâncias, até mesmo ter sido um veemente ativista contrário a eles, mas agora quase que os incorpora. O comum, o normal, hábitos, costumes, rotina, são palavras que nos circundam e se enchem de significado em confronto com nossa existência.

No dicionário, comum é sinônimo de ‘vulgar’, ‘habitual’, enquanto normal refere-se àquilo ‘que é conforme a norma, a regra’, ou ainda ‘que serve de modelo’. O ponto está em que nem tudo aquilo que é comum é normal, assim pelo fato de ser normal não indica que é comum. Em nossa sociedade há um imperativo para transformar o comum em normal, usando, por exemplo, frases como “todo mundo faz”, “a maioria faz assim”, “é comum”, sei o quanto é difícil fazer algo diferente, ou somente pensar diferente do que a maioria considera como a verdade comum, e por isso, aqueles que estão contrários à norma, querem submetê-la ao comum, refazendo-a, e colocando os que pensam diferentes como preconceituosos, fanáticos, fundamentalistas e loucos. Um bom exemplo é o ‘movimento do orgulho gay’ (não estamos aqui condenando pessoas e sim a filosofia que se apresenta), ser um homossexual tornou-se algo tão comum, que hoje em dia aquele que tem coragem de falar em público contra o movimento pode ser alvo de um processo, ou caso você venha a discordar será tachado como preconceituoso. Para evadirem-se alguns dizem ‘não sou a favor, nem contra’, é o que então? Como um limbo? Uma opinião sobre o nada, baseado em nada sem nenhuma conclusão? Ou se está de um lado, ou de outro. E o fato de ser algo tão comum, de maneira nenhuma indica ser o correto.